CARBONO

CARBONO

A CARBONO é um método simples e abrangente que usa o processo criativo para organizar o conhecimento e o aprendizado coletivo.

O método CARBONO nada mais é que processo criativo, puro e simples, aplicado de maneira coletiva. Mas para funcionar ao longo do tempo e fechar o ciclo, sugerimos que algumas premissas sejam observadas. Além disso, para rodar um projeto ou iniciativa existe um misto de gestão de conhecimento, gestão de projetos e gestão de comunidade. Na intersecção entre esses conjuntos está um ponto de partida para criar algo coletivamente.

@ Rodrigo Franco @2010-2022 Última atualização - agosto de 2022

Sobre

FRAMEWORK

Como usar

  1. Entenda as premissas
  2. Entenda os campos criativos
  3. Verifique em qual momento (campo) seu projeto ou iniciativa está
  4. Configure as ferramentas iniciais de gestão e aprendizado
  5. Embarque todos em relação aos itens acima
  6. Inicie e marque o início
  7. Gere expectativa, compromisso e emoção
  8. Garanta ao longo do tempo: gestão do projeto (coisas), gestão de comunidade (pessoas) e gestão de conhecimento (informação)
  9. Tenha atenção para o momento de evoluir para outros campos
Ilustração do ciclo CARBONO
Ilustração do ciclo CARBONO

CAMPOS CRIATIVOS

Os campos são auto-explicativos:

Cada campo é uma mini-comunidade que discute a iniciativa dentro dele, auxiliada por moderadores. Ao final da iniciativa, no campo do aprendizado, deve haver dados sobre a evolução do projeto e também uma gestão de conhecimento sobre o que aconteceu. A colocação em etapas é para facilitar a compreensão, mas como se trata de um processo criativo, nem sempre ele começa pelo item "1". Em alguns casos as iniciativas poderiam entrar por outras fases, como INSPIRAÇÃO, por exemplo.

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Como saber o momento de mudar de campo: para fazer isso, é preciso observar se o momento é de divergência (geração) ou convergência (avaliação). Cada campo tem o seu momento de gerar informação e consolidar informação. Sugere-se mudar de campo quando houve uma convergência – síntese, decisão, escolha – do que deve ser parte do próximo campo. Por exemplo, é recomendado seguir para CONCEPÇÃO de parte das alternativas geradas em INSPIRAÇÃO e não todas.

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ENTENDER.

É o campo onde a iniciativa é apresentada e são discutidos os termos e acordos sobre o que está acontecendo. É o momento de aprofundar, pesquisar, ouvir e atualizar. Por fim, deve-se fazer o recorte de qual parte do contexto é relevante para o que vai ser criado. Podem ser usadas pesquisas de todo o tipo, referências, ou simplesmente colocadas informações que contextualizem a iniciativa, como análises, constatações ou expectativas do iniciador e dos participantes.

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INSPIRAR.

A partir das interações do entendimento – ou anteriores, se o processo se iniciar por aqui – surge o campo da ideação, das propostas, das ideias inspiradoras. Benchmarkings, influências e propostas que alinham o time são feitas aqui. Nesse campo, as boas práticas, as boas ideias e tudo aquilo que nos inspira é ativado. Mesmo com essa efluência de possibilidades, é muito importante sintetizar tudo em ideias que possam ser concebidas.

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CONCEBER.

A concepção é a materialização, realização ou consolidação de algo. Não é necessariamente algo físico, concreto ou aplicado. Mas sim algo completo, que possa ser colocado em prática e que tenha algum impacto ou resultado que possa ser medido e compartilhado. Os iniciadores, líderes e a coletividade decidem o que e como será a concepção, quais ferramentas utilizar e quais métricas serão aplicadas.

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APRENDER.

O que você e todos que participaram aprenderam com sua iniciativa? Ao final de um ciclo, é importante refletir sobre o que aconteceu para que um novo começo seja melhor que o anterior. Use este campo para medir o que foi importante, bem como consolidar e apresentar os resultados e, por que não?, a história da iniciativa ou projeto. Assim, é possível recomeçar um novo ciclo com os aprendizados!

PREMISSAS

1. Transparência

Tudo que é colocado é visível a todos que participam e interessa a todos. Em primeiro lugar, transparência em relação o processo: todos devem entender os aspectos gerais da iniciativa. Isso inclui:

  1. Saber quem inicia
  2. conhecera visão inicial e acesso aos campos/ etapas da iniciativa. Esse princípio pode ser extrapolado, por exemplo, atenuando a assimetria de informação entre os participantes.
  3. Assumir a responsabilidade pelos erros e acertos de forma pública

Algumas ferramentas e práticas podem ajudar:

  • Quadro dinâmico com os temas, a evolução e as atividades da iniciativa
  • Registro de evoluções individuais em local de acesso coletivo
  • Registro de reuniões, eventos e atividades coletivas de acesso coletivo
  • Compromisso de se preparar para as conversas
  • Respeito pelos resultados, bons ou ruins

2. Diversidade

A criatividade é humana e não profissional ou setorial. Biólogos, engenheiros, designers, matemáticos, comerciantes, estudantes, adultos, jovens e crianças podem fazer emergir a criatividade coletiva. Aliás, esse é um fator primordial para a inovação e para o progresso (não apenas mercadológico, diga-se). Existem divergências em relação à diversidade na atuação colaborativa. Não é preciso a radicalização da diversidade ou mesmo a obrigatoriedade. Apenas a possibilidade e a observância da diversidade como princípio divergente e também convergente. Um problema ou situação tem tantos pontos de vista quanto uma sala de aula tem alunos. Honrar a diversidade é honrar o que nos torna humanos. Isso inclui:

  1. equilíbrio nos "pesos" de cada contribuição, seja de quem for
  2. comunicação clara e inclusiva
  3. maneiras de facilitar a dialética e a construção entre diferenças

Algumas ferramentas e práticas podem ajudar:

  • Organização e facilitação para conversas focadas
  • Confiança na melhor entrega mas compromisso de entregar melhor

3. Abertura

A exponencialidade da informação, a colaboração e o engajamento só aparecem se uma pessoa se conectar a outra, se houver volume, mas principalmente se o acesso ao que ela gosta ou quer fazer seja providenciado. Abertura significa proporcionar meios de conexão simples e acesso fácil e rápido. Isso inclui:

  1. Instruções claras de como funciona a interação entre as pessoas e o trabalho
  2. Recepção e despedida, ou seja, facilidade de entrar e sair de uma conversa ou atividade
  3. Cuidar para que cada um possa escolher como atuar e seja respeitado(a) em sua especialidade e generalidade

Algumas ferramentas e práticas podem ajudar:

  • Clareza sobre os papeis e forma fácil de saber quem é quem e quem faz o quê
  • Dar voz completa (significa até o fim) para um compartilhamento ou entrega

4. Interação

Se o processo é criativo e orgânico, não existe uma "melhor ideia". Por outro lado, ideias são commodity, e não há como julgar de antemão. As ideias vão se tornando melhores conforme cresce a interatividade. Então o fato das pessoas interagirem faz crescer o valor gerado em cada inciativa e também o valor de cada pessoa para o potencial futuro do que está sendo construído. O valor é, ao mesmo tempo, intrínseco e extrínseco, e as formas de capturá-lo são diferentes. Mais interação significa mais dados e mais complexidade. Por isso, mais conversas não significam melhores iniciativas. Isso inclui:

  1. Dar visibilidade ao resultado de cada interação
  2. Dar visibilidade à evolução da iniciativa como um todo
  3. Engajar um senso de comunidade em torno da iniciativa

Algumas ferramentas e práticas podem ajudar:

  • Conversas organizadas coletivas e bilaterais
  • Espaço para pequenas entregas e validação
  • Momentos individuais de criação (sem interação coletiva)
  • Saber o campo em que está e se o momento é de co-criação ou decisão
  • Valorizar cada a interação como o que é: parte importante da construção de algo; reserve outro momento para outras discussões

5. Ciclo

"É preciso ter 'acabativa'". Esta afirmação, por mais verdadeira que seja, não apaga um fato: o processo criativo não tem necessariamente começo-meio-fim. Processos criativos lineares, com começo-meio-fim, na verdade, pautam-se por um pensamento antiquado. O processo em si não acaba; apenas que a pessoa nele engajada o abandona por algum motivo. Portanto é preciso, na verdade, fazer entregas que transbordem a visão da iniciativa e essas entregas podem significar o fim de um ciclo. A função da criatividade é estabelecer um processo cíclico, que se nutre de si próprio para melhorar e reverberar constantemente. Ou seja, o "fim" do processo, se assim entendido, é uma oportunidade para um novo começo melhor, com mais aprendizado. Isso inclui:

  1. Possibilidade de "versionamento" e crescimento da iniciativa
  2. Possibilidade da troca do iniciador ou líder criando um legado
  3. Acesso aos "entregáveis" e resultados de forma organizada e acionável

Algumas ferramentas e práticas podem ajudar:

  • Um ritual de iniciação pode ajudar a ter um momento para integrar todos
  • É preciso determinar quando é o fim do ciclo
  • É preciso ter métricas que não mudem constantemente, a fim de medir o que foi feito
  • Um ritual de encerramento em que todos compartilham dos "ônus e bônus" deve marcar a passagem para um novo ciclo – ou o encerramento da iniciativa

CASOS DE USO

Em breve:

  • Projetos educacionais
  • Iniciativas artísticas
  • Movimentos sociais
  • Eventos