CARBONO

CARBONO

A CARBONO é um método simples e abrangente que usa o processo criativo para organizar o conhecimento e o aprendizado coletivo.

O método CARBONO nada mais é que processo criativo, puro e simples. Mas para funcionar ao longo do tempo e fechar o ciclo, sugerimos que algumas premissas sejam observadas. Além disso, para rodar um projeto ou iniciativa existe um misto de gestão de conhecimento, gestão de projetos e gestão de comunidade. Na intersecção entre esses conjuntos está um ponto de partida para criar algo coletivamente.

@ Rodrigo Franco @2010-2021

Sobre

FRAMEWORK

Como usar:

  1. Entenda as premissas
  2. Entenda os campos criativos
  3. Verifique em qual momento (campo) seu projeto ou iniciativa está
  4. Configure as ferramentas iniciais de gestão e aprendizado
  5. Embarque todos em relação aos itens acima
  6. Inicie
  7. Tenha atenção para o momento de evoluir para outros campos
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CAMPOS CRIATIVOS

Os campos são auto-explicativos:

1. ENTENDER

2. INSPIRAR

3. CONCEBER

4. APRENDER

Cada campo é uma mini-comunidade que discute a iniciativa dentro dele, auxiliada por moderadores. A ideia é que ao final da iniciativa, no campo do aprendizado, haja dados sobre a evolução do projeto e também uma gestão de conhecimento sobre o que aconteceu. A colocação em etapas é para facilitar a compreensão, mas como se trata de um processo criativo, nem sempre ele começa pelo item "1". Em alguns casos as iniciativas poderiam entrar por outras fases, como INSPIRAÇÃO, por exemplo.

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Como saber o momento de mudar de campo: para fazer isso, é preciso observar se o momento é de divergência (geração) ou convergência (avaliação). Cada campo tem o seu momento de gerar informação e consolidar informação. Sugere-se mudar de campo quando houve uma convergência – síntese, decisão, escolha – do que deve ser parte do próximo campo. Por exemplo, é recomendado seguir para CONCEPÇÃO de parte das alternativas geradas em INSPIRAÇÃO e não todas.

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ENTENDER.

É o campo onde a iniciativa é apresentada e são discutidos os termos e acordos sobre o que está acontecendo. É o momento de aprofundar, pesquisar, ouvir e atualizar. Por fim, deve-se fazer o recorte de qual parte do contexto é relevante para o que vai ser criado. Podem ser usadas pesquisas de todo o tipo, referências, ou simplesmente colocadas informações que contextualizem a iniciativa, como análises, constatações ou expectativas do iniciador e dos participantes.

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INSPIRAR.

A partir das interações do entendimento – ou anteriores, se o processo se iniciar por aqui – surge o campo da ideação, das propostas, das ideias inspiradoras. Benchmarkings, influências e propostas que alinham o time são feitas aqui. Nesse campo, as boas práticas, as boas ideias e tudo aquilo que nos inspira é ativado. Mesmo com essa efluência de possibilidades, é muito importante sintetizar tudo em ideias que possam ser concebidas.

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CONCEBER.

A concepção é a materialização, realização ou consolidação de algo. Não é necessariamente algo físico, concreto ou aplicado. Mas sim algo completo, que possa ser colocado em prática e que tenha algum impacto ou resultado que possa ser medido e compartilhado. Os iniciadores, líderes e a coletividade decidem o que e como será a concepção, quais ferramentas utilizar e quais métricas serão aplicadas.

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APRENDER.

O que você e todos que participaram aprenderam com sua iniciativa? Ao final de um ciclo, é importante refletir sobre o que aconteceu para que um novo começo seja melhor que o anterior. Use este campo para medir o que foi importante, bem como consolidar e apresentar os resultados e, por que não?, a história da iniciativa ou projeto. Assim, é possível recomeçar um novo ciclo com os aprendizados!

PREMISSAS:

1. Transparência

Tudo que é colocado é visível a todos que participam e interessa a todos. Em primeiro lugar, transparência em relação o processo: todos devem entender os aspectos gerais da iniciativa. Isso inclui:

  1. Saber quem inicia
  2. conhecera visão inicial e acesso aos campos/ etapas da iniciativa. Esse princípio pode ser extrapolado, por exemplo, atenuando a assimetria de informação entre os participantes.
  3. Assumir a responsabilidade pelos erros e acertos de forma pública

Algumas ferramentas e práticas podem ajudar:

  • Quadro dinâmico com os temas, a evolução e as atividades da iniciativa
  • Registro de evoluções individuais em local de acesso coletivo
  • Registro de reuniões, eventos e atividades coletivas de acesso coletivo
  • Compromisso de se preparar para as conversas
  • Respeito pelos resultados, bons ou ruins

2. Diversidade

A criatividade é humana e não profissional ou setorial. Biólogos, engenheiros, designers, matemáticos, comerciantes, estudantes, adultos, jovens e crianças podem fazer emergir a criatividade coletiva. Aliás, esse é um fator primordial para a inovação e para o progresso (não apenas mercadológico, diga-se). Existem divergências em relação à diversidade na atuação colaborativa. Não é preciso a radicalização da diversidade ou mesmo a obrigatoriedade. Apenas a possibilidade e a observância da diversidade como princípio divergente e convergente. Um problema ou situação tem tantos pontos de vista quanto uma sala de aula tem alunos. Honrar a diversidade é honrar o que nos torna humanos. Isso inclui:

  1. equilíbrio nos "pesos" de cada contribuição, seja de quem for
  2. comunicação clara e inclusiva
  3. maneiras de facilitar a dialética e a construção entre diferenças

Algumas ferramentas e práticas podem ajudar:

  • Organização e facilitação para conversas focadas
  • Confiança na melhor entrega mas compromisso de entregar melhor

3. Abertura

A exponencialidade da informação, a colaboração e o engajamento só aparecem se uma pessoa se conectar a outra, se houver volume, mas principalmente se o acesso ao que ela gosta ou quer fazer seja providenciado. Abertura significa proporcionar meios de conexão simples e acesso fácil e rápido. Isso inclui:

  1. Instruções claras de como funciona a interação entre as pessoas e o trabalho
  2. Recepção e despedida, ou seja, facilidade de entrar e sair de uma conversa ou atividade
  3. Cuidar para que cada um possa escolher como atuar e seja respeitado(a) em sua especialidade e generalidade

Algumas ferramentas e práticas podem ajudar:

  • Clareza sobre os papeis e forma fácil de saber quem é quem e quem faz o quê
  • Dar voz completa (significa até o fim) para um compartilhamento ou entrega

4. Interação

Se o processo é criativo e orgânico, não existe uma "melhor ideia". Por outro lado, ideias são commodity, e não há como julgar de antemão. As ideias vão se tornando melhores conforme cresce a interatividade. Então o fato das pessoas interagirem faz crescer o valor gerado em cada inciativa e também o valor de cada pessoa para o potencial futuro do que está sendo construído. O valor é, ao mesmo tempo, intrínseco e extrínseco, e as formas de capturá-lo são diferentes. Mais interação significa mais dados e mais complexidade. Por isso, mais conversas não significam melhores iniciativas. Isso inclui:

  1. Dar visibilidade ao resultado de cada interação
  2. Dar visibilidade à evolução da iniciativa como um todo
  3. Engajar um senso de comunidade em torno da iniciativa

Algumas ferramentas e práticas podem ajudar:

  • Conversas organizadas coletivas e bilaterais
  • Espaço para pequenas entregas e validação
  • Momentos individuais de criação (sem interação coletiva)
  • Saber o campo em que está e se o momento é de co-criação ou decisão
  • Valorizar cada a interação como o que é: parte importante da construção de algo; reserve outro momento para outras discussões

5. Ciclo

"É preciso ter 'acabativa'". Esta afirmação, por mais verdadeira que seja, não apaga um fato: o processo criativo não tem necessariamente começo-meio-fim. Processos criativos lineares, com começo-meio-fim, na verdade, pautam-se por um pensamento antiquado. O processo em si não acaba; apenas que a pessoa nele engajada o abandona por algum motivo. Portanto é preciso, na verdade, fazer entregas que transbordem a visão da iniciativa e essas entregas podem significar o fim de um ciclo. A função da criatividade é estabelecer um processo cíclico, que se nutre de si próprio para melhorar e reverberar constantemente. Ou seja, o "fim" do processo, se assim entendido, é uma oportunidade para um novo começo melhor, com mais aprendizado. Isso inclui:

  1. Possibilidade de "versionamento" e crescimento da iniciativa
  2. Possibilidade da troca do iniciador ou líder criando um legado
  3. Acesso aos "entregáveis" e resultados de forma organizada e acionável

Algumas ferramentas e práticas podem ajudar:

  • Um ritual de iniciação pode ajudar a ter um momento para integrar todos
  • É preciso determinar quando é o fim do ciclo
  • É preciso ter métricas que não mudem constantemente, a fim de medir o que foi feito
  • Um ritual de encerramento em que todos compartilham dos "ônus e bônus" deve marcar a passagem para um novo ciclo – ou o encerramento da iniciativa